QUEM TEM MEDO DO COBOL?
Tecnologia agosto 3rd, 2009Falar sobre Cobol para quem já o conhece é desnecessário; para quem não o conhece é difícil pois não se trata apenas de apresentar algo “novo”, trata-se de apagar uma imagem negativa estrategicamente imputada pelos poderosos que ganharam muito di-nheiro denigrindo o Cobol para poder vender seus produtos.
Se você não conhece Cobol e nunca ouviu falar mal dele, encante-se!
Se você conhece o Cobol e só ouviu falar mal dele, prepare-se para ser exorcizado.
Pontos fortes do Cobol
Aplicações de massa crítica com altíssimo volume de dados e transações é “arroz com feijão” para o Cobol. Quantos milhões de correntistas possui um banco em todo país? Quantos milhões de transações são realizadas por dia nessas instituições? Para o Cobol tanto faz.
Mas é só nos equipamentos de grande porte (os mainframes) que o Cobol mostra sua força?
Claro que não. Equipamentos de médio porte com Unix e sistemas proprietários também. Mesma coisa com os microcomputadores. Toda a interface gráfica que o Windows, o .NET e o Linux oferecem é igualmente usufruída pelo Cobol no desenvolvimento de aplicações orientadas a objetos, a eventos. Com incrível taxa de portabilidade entre as diversas plata-formas.
Sobre filosofia de desenvolvimento, o que você prefere: programação linear, programação estruturada, programação orientada e objetos, programação multilinguagens, chamadas de sistemas em outras linguagens ou programação orientada a eventos? Escolha qualquer uma, e faça em Cobol. Quer utilizar arquivos nativos (e o Cobol é o mais versátil nas suas opções) ou quer usar um SQL famoso do mercado? Quer fazer chamadas de sistema ou interligação com Java, usar XML, trabalhar com formulários na Web? Tudo bem: faça em Cobol!
O ensino de Cobol
O que temos hoje em cursos de graduação nas escolas de segundo e terceiro graus são as linguagens e ferramentas “da hora”. Mas em muitas faculdades importantes temos o ensino do Cobol. Não tanto quanto deveria, pela sua importância e sempre atuali-dade e presença, porém até mais que na minha época de estudante.
O perfil do profissional que trabalha com Cobol é um pouco diferente. Para se desenvolver numa linguagem de programação clássica, estruturada, sólida e voltada para aplicações da massa crítica, são necessários profissionais sintonizados com ela. Em Cobol não há imediatismo, logo seus desenvolvedo-res têm que ser dedicados, conscientes, comprometi-dos com a solução dos negócios empresariais. Não basta criar mais um botão na janela, tem que saber o porquê. Não basta o visual, é preciso lógica. Formar programadores em linguagem Cobol é até fácil, e rápido, mas formar profissionais é outra coisa.
Lógica de programação, estruturação de programas, conhecimento dos negócios da empresa, e até lógica visual para quem vai desenvolver sistemas orientado a objetos ou eventos. É assim que se forma um programador Cobol.
Ainda se contratam desenvolvedores Cobol?
É diária a procura por programadores e analistas que conheçam Cobol. Milhares de empresas estão solidamente amarradas aos mainframes (entenda-se aí, Cobol). Milhões de programas, bilhões de linhas de código Cobol que precisam ser atualizadas, mantidas, renovadas, criadas. E para isso são necessários programadores. Outro fator interessante, e até pitoresco, milhares de analistas e programadores Cobol estão se aposentando por tempo de serviço, aumentando a procura por novos profissionais.
Observem nos sites de empresas de recrutamento e seleção, nos sites especializados: sempre há oferta para programador e analista de mainframe e Cobol.
Dizem que “o que é bom dura pouco”. Está aí o Cobol para desmentir.
Paulo Roberto Rodrigues
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